MINHA ESPOSA, KLEBER, KELLY E KEZIA ESTAVAM SENTADOS NA CARROCERIA E EU ESTAVA EM PÉ DURANTE O TRAJETO.
3- O PAI QUE ERA MARIDO DE SUA FILHA
Ginitiquía era o nome de uma localidade à margem do rio “Madre de Dios”. Ali, atendendo a um convite do proprietário da localidade, fomos pregar o Evangelho do Senhor Jesus. Antes, nunca alguém tinha ido ali com aquela finalidade.
O povo foi convocado por aquele patrão e na hora certa começamos o trabalho. Ao fazermos o convite várias pessoas vieram à frente aceitar a Jesus. Após o culto, em meio à grande alegria que estávamos sentindo pela obra que Deus havia feito nesta noite, o proprietário me chamou à parte e disse-me:
-“Como o senhor permite que pessoas como aquela primeira família que passou à frente, aceite a Jesus? Eles não são dignos. Aqui já vieram muitas comissões católicas, já veio até o bispo oferecendo internato para as crianças com a condição de que eles se separem, porém eles não aceitam. Não é possível que os dois continuem juntos, são pai e filha ”
Minhas pernas tremeram e por pouco não me sustentaram. Sinceramente, nunca me senti tão chocado como naquela hora, após ouvir o que aquele homem me tinha revelado. Me senti incapaz e pequeno para resolver tal problema e o era. Recobrei forças no Senhor e com segurança lhe disse: -“O que é impossível para o homem é possível para Deus”.A causa daquela situação, era a falta do conhecimento do Evangelho. Depois de 30 dias, novamente ali estávamos para o segundo culto. Aquela dita família, que morava a uns 16 kms de distância, chegou bem cedo. A filha (esposa) trazia um ramalhete de flores nativas para minha esposa e o pai (esposo), trazia um quarto de tatu assado que com muito amor me entregou. Durante o desenvover do culto, podíamos observar alegria de uma nova experiência com Deus. Seria possível isso? O meu Deus é poderoso! Depois de terminada aquela reunião, os convidamos para ir ao nosso barco que estava ancorado no porto. Ali, em nosso escritório, minha esposa e eu, ministramos a poderosa e transformadora palavra de Deus e a nova vida em Cristo. “Se alguém está em Cristo, nova criatura é”. A Palavra os tocou e logo estavam chorando, pedindo perdão a Deus. E, com as mãos sobre a Bíblia, faziam um novo pacto, comprometendo-se de que a partir daquele momento, se respeitariam como pai e filha. Esta foi uma obra que muito glorificou a Deus em toda aquela região. Na cidade, autoridades civis e católicas nos procuravam para felicitar-nos pois não sabiam que obras como esta, só o meu Senhor faz. Esta foi uma grande oportunidade para mostrar àquela gente a importância transformadora do Evangelho de Cristo. 4 – A IMPORTÂNCIA DAS ONDAS SONORAS
Em Riberalta-Beni, tínhamos programas em duas emissoras de rádio. Na Rádio Abarôa com um programa diário de 30 minutos e na Rádio Riberalta com programações somente aos domingos durante 60 min. Todas as nossas viagens tinham o roteiro divulgado nos programas, então todos sabiam o dia e a hora aproximada da nossa chegada em cada lugar.
Certa vez decidimos ir mais além. Fomos a um afluente do rio “Madre de Dios” em um lugar bem distante e já estávamos com 8 dias de viagem. No programa, avisamos que estaríamos lá. Seria a primeira vez que toda aquela região iria ouvir o Evangelho, pois nunca tinha entrado um pregador ali. Qual foi a surpresa? Quando nos aproximávamos, vimos muita gente no porto mas não sabíamos o que estava acontecendo. Quando atracamos, o povo se aproximou e logo um senhor de mais idade subiu à prôa do barco e me comprimentou dizendo: “A paz do Senhor, glória a Deus!”. Logo depois todos os que estavam ali, aproximadamente umas 20 pessoas, fizeram a mesma saudação. Eu, muito surpreso disse-lhes que não sabia que naquela região havia uma Igreja Evangélica. Aquele ancião que liderava o grupo me respondeu:
-“O irmão é o nosso pastor. Eu fui o primeiro a aceitar a Jesus ouvindo o programa evangélico que o irmão dirige. Depois, como somente eu tenho um rádio portátil, fui convidando cada dia os meus vizinhos para ouvirem a mensagem. Como o senhor sempre convida para aceitar a Jesus após a mensagem, nos ajoelhamos diante do rádio para receber a sua oração. Eles já sentem a mesma alegria que eu sinto. Aleluia, glória a Deus! ”.
5 - O BATIZANDO QUE TIROU O ISQUEIRO E A TABAQUEIRA DO BOLSO PARA NÃO MOLHAR!
Era um ancião de 76 anos. Não obstante a idade demonstrava ainda muita resistência física. Aquele homem era a pessoa mais promíscua e desrespeitadora que conheci naquele lugar. Eu não queria mais ver a cara dele. Cada vez que tentava lhe falar de Jesus, ele usava palavras obscenas para contestar. Eu tinha decidido evitá-lo, zelando pelo grande valor da palavra de Deus.
Um dia realizávamos o batismo de 25 pessoas em um pequeno rio à margem da estrada, Riberalta – Guayaramerin. Depois dos cânticos e da mensagem, descemos às águas com os candidatos. Em meio àquela cerimônia tão bela “dei de cara” com o sujeito. Ele, se aproximou de mim soluçando. Nunca havia visto um homem, principalmente não crente, chorar daquela maneira tão despojada, parecia uma criança. Em meio a soluços e lágrimas pediu para eu orar por ele pois queria aceitar a Jesus e ser batizado juntamente com os outros naquela oportunidade. Tentei persuadi-lo a batizar-se numa próxima oportunidade, porém ele insistiu: “Por favor, pastor. Eu quero também ser batizado agora, por favor!”. E agora, que fazer? Pedi a um diácono que vestisse a capa nele. Quando ele ia entrando no rio, lembrou-se de algo! Era a sua tabaqueira e o seu isqueiro que não poderiam se molhar, por isso os tirou do bolso e os colocou sobre um tronco de árvore. Foi batizado chorando e glorificando a Deus! Quando saiu, estava tão alegre que esqueceu a tabaqueira. A qual não lhe fez falta porque o Senhor lhe ofereceu coisa melhor. Aleluia! Aquele ancião foi cheio da graça de Deus e foi um instrumento nas Suas mãos ganhando toda sua grande família para Jesus.
6- O TEMPLO QUE FOI CONSTRUIDO NO CENTRO DO CAMPO DE FUTEBOL! Depois de 8 dias, fomos à Granja Palmira, propriedade do sr. Melchor Vasques (homem que tinha esquecido a tabaqueira no tronco do pau), situada à 17 kms da cidade de Riberalta.
A proporção que nos aproximávamos, aumentava a expectativa. Como iríamos encontrá-lo? Aquele homem, além de viciado no tabaco, bebia demasiado juntamente com toda a sua família. Costumavam tomar o álcool puro. Compravam latas de 18 litros, furavam em um canto, um segurava e o outro bebia até que todos ficassem embriagados. Confesso que temia encontrá-lo embriagado. De longe avistamos a sua casa e quando ele percebeu que éramos nós, saiu ao nosso encontro muito bem vestido e com o sorriso de quem encontrou a Cristo e o pôs como centro de sua vida.
O culto foi avisado a toda a comunidade. Um dos seus filhos (Felipe) que andava envolto com o maligno, saiu de casa bem cedo para o mato (caatinga) com uma espingarda na mão, dizendo que não queria ver a cara do pastor e prometia dar um tiro, caso insistisse em fazer culto na sua casa.
Quando começou a escurecer já havia muita gente reunida. Fizemos o culto em frente à casa, pois do contrario não haveria espaço. Começamos a ensinar o povo e a cantar. Todos cantavam com muita alegria, o irmão Melchor estava bem ao meu lado com um sorriso contagiante, elegantemente vestido de calça preta e camisa branca social. Estava muito feliz com Jesus. Em um momento qualquer da reunião, o Felipe se aproximou e ficou escondido em meio ao povo, esperando o momento certo para acertar contas com o pastor que desobedeceu à sua ordem. Ainda com a espingarda na mão ouvia com atenção a palavra de Deus. Na hora do convite, ele veio em nossa direção sendo o primeiro a aceitar a Jesus.
Aquele lugar era o centro de concentração do povo. Havia um bonito campo de futebol e um time que era um dos melhores daquela região. Quase todos os jogadores pertenciam à família do irmão Melchor. Naquela noite (de salvação em massa), todos os filhos tinham aceitado a Jesus como Salvador.
Depois do culto, em meio a tanta alegria, um grupo de jogadores me chamou e me perguntou se eles poderiam continuar jogando futebol. Eu lhes respondi que agora eles tinham livre acesso a Deus através de Cristo e que agora eles mesmos poderiam fazer aquela pergunta a Deus tendo a certeza de que não ficariam sem resposta. Com 15 dias, voltamos para um outro culto naquela localidade e aqueles jogadores já tinham uma resposta de Deus. Disseram-me: “Nós oramos a Deus e sentimos que não somente devemos acabar com o time, como também devemos construir um templo bem no centro do nosso campo”. Dentro de 5 meses inauguramos uma modesta, porém bonita congregação naquele lugar. Louvado seja o nome de JESUS! Foi nessa congregação onde houve um culto que demorou três dias e três noites, em que todos foram batizados no Espírito Santo.
7- O PRIMEIRO TEMPLO EM RIBERALTA Não tínhamos condições de comprar um terreno, porém, estávamos orando para que o Senhor nos provesse. Foi quando uma jovem, que era muito religiosa e trabalhava diretamente com o prelado da cidade, aceitou a Jesus. Era a única herdeira de sua avó, consequentemente, possuía um terreno muito bem localizado e de grande valor. Continuávamos na nossa campanha de oração e um dia, em meio a um culto de oração, aquela nova convertida levantou-se e disse: “Quero doar 50% do meu terreno para que seja construído o templo da nossa Igreja”. Com 15 dias, eu e mais 5 irmãos, fomos à mata a uns 20 kms para tirar toda a madeira e a palha, necessárias para construir e cobrir o nosso templo. Passamos 5 dias trabalhando na mata. Ali mesmo comíamos e dormíamos. No último dia foi um caminhão para trazer o material. Durante a construção, muitas vezes trabalhávamos até pela madrugada. O povo que passava e via homens, mulheres e até crianças trabalhando, diziam: “Este pastor é comunista, obriga esta pobre gente a trabalhar até a esta hora”, mas não tinha jeito, os irmãos não queriam parar enquanto não tivéssemos terminado o nosso templo e muito menos eu. Aquele templo, que media 20mx8m, foi feito com as paredes de “enchimento”ou tabique e depois rebocadas. A frente do templo foi feita com madeira de lei. Ficou muito bonito e todos os irmãos estavam “orgulhosos” do trabalho que haviam feito. Aquele templo humilde foi cenário de grandes eventos em que o nome do Senhor era exaltado e glorificado. Aleluia! |
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